terça-feira, outubro 26, 2010

Ela só queria um pouco mais de atenção.

Ontem aconteceu um fato curioso comigo.
Fui à roça levar minha avó e na volta, para deixar um amigo que foi me acompanhando, parei o carro em frente à TV, isso era mais de meia noite. Uma mulher, de 31 anos, com a perna enfaixada, com a roupa toda suja e rasgada chegou na janela do carro e pediu para levá-la em casa. Ela contou que estava na delegacia fazendo ocorrência, que o homem com quem ela tinha um relacionamento a cercou próximo à sua casa, bateu e rasgou a roupa dela. A polícia foi com a vítima até o Morro do Castelo, onde o agressor mora, mas não o encontrou. Percebi que ela era uma mulher especial, logo em seguida confirmou que fazia tratamento no Caps. Como ela mora no bairro Surubi e já era muito tarde, ficamos com medo de levá-la. Já que ela tinha acabado de sair da delegacia, liguei para 190 e pedi que uma viatura a levasse para casa. Depois do Sargento de plantão me falar que eles não fazem esse tipo de serviço (acho que ele pensou que eu estava pensando que eles fossem táxi, rs), eu insisti e ele falou que ia mandar uma viatura até onde eu estava para conversar comigo. Após quase 30 minutos esperando, chegou uma viatura falando que não podia levar a mulher em casa, mas que podia me acompanhar, eu levando ela no meu carro e eles atrás fazendo escolta. Dá pra entender isso?
Uma mulher especial, aparentemente com problemas psicológicos, foi agredida por um homem, tinha acabado de sair da delegacia, o agressor ficou impune, era quase 1:30h da madrugada e não podiam levar ela em casa, mas podiam fazer escolta. Até que ponto vai esse mundo hein? Será que falta muita coisa ainda para eu ver ou saber? Meu Deus!!! Fico horrorizada com esse tipo de coisa. Mas enfim, fiz minha parte: levei a mulher em casa, ela sentou no banco de trás e sua perna ferida fedia como peixe podre. Aquele cheiro tomou conta do carro (que provação!). A mãe dela, uma senhorinha bem velhinha, foi em direção ao portão da humilde casa, que fica lá no alto do morro, em uma rua bem escura, emocionada, agradecendo o tempo todo e falando que estava acordada até aquela hora esperando notícias. No morro onde moram não tem telefone público e ela não tinha celular para ligar para delegacia e buscar informações da filha.
Quando olhei para o lado do carro, vi também uma menininha de 11 anos, perguntei quem era, a "vozinha" disse que era sua neta, filha da sua filha especial que sofreu agressão de um homem.
A mulher só queria uma ajuda e um pouco mais de atenção e a polícia de nossa cidade não faz esse tipo de serviço.

2 comentários:

ayune64@hotmail.com disse...

Bianca, parabéns pelo blog, pelo seu amadurecimento como mulher e como profissional.Estou amando ler o que você escreve(e você sabe que sou exigente rs.)é sempre engrandecedor ver jovens como você focada nos problemas sociais que assolam nossa sociedade, continue nessa trilha que seu sucesso e seu reconhecimento estarão garantidos.
Bjs
Adma Pillar

Anônimo disse...

E, pois e,nao devemos fazer com a mao direita e distruir com a esquerda nada que se vem do fundo do coraçao, ou da alma,do que adianta pagarmos um dizimo e se vangloriar do feito,ha de nada vale, pois nossos compromissos sao coisas que devemos cumprir com privacidade e nao para ser percebido por alguem.Espero nao precisar feder seu carro um dia,porque eu ficaria muito triste em saber que alguem estaria tirando proveito de minha desgraça em meios de comunicaçao,para se promover ou aparecer sei la pra que.Lembre-se se tem algo a fazer por alguem,faça por amor e nao por pudor,algo divino nao precisa de propaganda,e so fazer